Stonehell Dungeon

1 de Dezembro de 2009 Conversa em off 5 Comentários
Por Fabiano Neme

stonehell_coverAndo bem atento às novidades do mundo old school. Recentemente foi lançado um produto que me chamou bastante a atenção, uma megadungeon chamada Stonehell.

Mas ela não é uma megadungeon qualquer. Não em termos de clima ou proposta, mas em termos de apresentação em si. Quando pensamos em dungeon hoje em dia, automaticamente vem a imagem de uma aventura, com salas cheias de monstros, tudo bem detalhado e explicado, pronto para ser usado pelo mestre na mesa de jogo.

Mas com Stonehell é diferente. Essa megadungeon foi criada como um cenário. Não tem uma história estimulando os jogadores a explorá-la. Nem todas as salas são detalhadas, muita coisa é deixada propositalmente em branco, para que o mestre venha e crie em cima, tornando Stonehell sua.

O interessante é que o livro é construído como se fosse um cenário, com plots internos, NPCs, enfim, a dungeon não é um elemento estático, esperando pelos jogadores chegarem e arrasarem tudo. Salas como “Aqui tem 4 orcs” são inexistentes. Cabe ao mestre povoar a dungeon, seguindo as dicas e o guia apresentado pelo livro.

A apresentação dela também é bastante diferenciada. Quando se abre o livro, em uma página temos o mapa do andar e na outra as referências dos locais marcados. Simples, prático e direto.

O livro tem pouquíssimas estatísticas, podendo ser usado com qualquer retro-clone de D&D por aí, ou até mesmo com o nosso querido Old Dragon sem grande esforço1.

Outra coisa muito legal é que Stonehell não está lá para ser “zerada”. Não existe um caminho para se fazer as coisas, sendo que os jogadores sempre têm várias opções de rotas, passagens e entradas, mas sim um ambiente complexo e fascinante, uma excelente caixa de ferramentas para o mestre preparar suas sessões de dungeon crawl.

O preço é bastante em conta, US$ 6,50 o pdf, sendo que tem um sublevel grátis. Vale muito a pena.

Stonehell

The Brigand Caves

  1. É só manter aquela premissa de considerar a progressão da baforada de dragão como a progressão única da jogada de proteção que está tudo em casa. []
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Old Dragon: terceira sessão

26 de Novembro de 2009 Na minha campanha 5 Comentários
Por Fabiano Neme

exorcist-spider-girlSemana passada rolou a terceira sessão da minha campanha de Old Dragon. O grupo, ferido e cansado, retornou à cidade, para se curar, comprar equipamentos e estudar mais sobre as adagas gêmeas1. No caminho para a cidade, encontram Meepo e os kobolds libertos acampando próximos da montanha.

Uma vez em Porton, descobrem que Eirimos não é exatamente querido por seus conterrâneos, que zombam dele, chegando a arremessar frutas podres em sua direção.

Eirimos, estudando seus livros arcanos, descobrem que as adagas gêmeas têm um poder que permite manter uma criatura aprisionada em raios, por um curto espaço de tempo. Sem saber ao certo como, decidem que será útil para devolver Arak-Tachna para a prisão.

Naquela noite, Altamir é acordado por uma criatura estranha se movendo no chão do quarto e sussurrando em repetição o nome de Arak-Tachna. Baichmir também acorda e, depois de acender uma lanterna, descobrem que é Omir, se movendo como uma aranha, com os olhos vidrados e aparentemente inconsciente. De repente, Omir emite um grunhido gutural e vomita milhares de aranhas minúsculas, envoltas em bile2.

Também notam que algo na mochila de Omir brilha incandescente e, depois de abri-la, descobrem dois ídolos de Arak-Tachna, que Omir pegara na mina3

Sem saber o que fazer, Altamir e Baichmir levam Omir e os ídolos até o templo da cidade, onde são recebidos pelo clérigo Zortak e por seu estranho ajudante, Blob. Zortak atribui a situação à influência dos ídolos, que facilitam a comunicação dos Deuses Antigos com seus cultistas e que Omir, por tê-los roubado, estaria sob a influência de Arak-Tachna. Zortak fala também que os aventureiros devem ter cuidado com Eirimos, pois ele é interessado demais nos Deuses Antigos.

Entretanto, Baichmir sente algo estranho no templo, como se ele não estivesse num local sagrado, consagrado por criaturas ordeiras, mas sim em um local maculado pelo caos.

No dia seguinte, Altamir, Baichmir e Eirimos partem em direção à mina, para tentar aprisionar Arak-Tachna. Porém, no caminho, descobrem o acampamento kobold destruído, com vários kobolds mortos e uma trilha de destruição que leva para o coração da floresta.

Enquanto Altamir e Baichmir querem seguir a trilha para tentar encontrar Meepo, que desapareceu, Eirimos alerta sobre a urgência de prender Arak-Tachna novamente. Após uma longa discussão, Altamir e Baichmir saem à caça de Meepo, enquanto Eirimos, que se recusou a ajudá-los, os aguarda no acampamento destruído.

Seguindo a trilha de destruição, os aventureiros chegam até uma torre arruinada e cheia de teias de aranha. Investigando a ruína, descobrem dois kobolds presos em casulos de teia que, ao serem resgatados, alertam algumas aranhas, que partem para cima dos dois aventureiros.

Depois de derrotá-las, Altamir e Baichmir buscam um plano para tentar entrar na torre e resgatar Meepo. Altamir resolve atirar pedras nas teias, tentando alertar e atrair para fora as aranhas que habitam a torre. Ao invés, são surpreendidos por um homem nu, que sai de um buraco no piso da torre. Altamir, sem pestanejar, arremessa uma nova pedra, desta vez mirando o homem misterioso, acertando-o em cheio.

O homem perde o controle e derrete, revelando-se um shoggoth. Enquanto Altamir atrai a criatura horrenda para longe, Baichmir entra na ruína e encontra Meepo paralisado em um altar. Após o resgate e após terem despistado o terrível shoggoth, os aventureiros se reúnem com Eirimos e, para seu desespero, resolvem retornar novamente para a cidade, para curar Meepo e os outros kobolds…

  1. Eu não mencionei isso no post anterior, mas o grupo encontrou uma adaga cravejada de gemas, e o elfo negro, no quadro, estava empunhando uma idêntica []
  2. Isso eu tirei de uma experiência própria. Esse ano eu fui até uma cidade pequena daqui do RS a trabalho. Quando fui abrir a torneira para escovar os dentes, não saía água e, de repente, sai um bolo de água com um monte de aranhazinhas! []
  3. Outra coisa que esqueci de mencionar no post anterior. Na verdade não esqueci, é porque a princípio esses ídolos não serviriam para nada, mas como o jogador que controla o Omir cancelou em cima da hora, tive que improvisar para tirar o cara da sessão. []
Tags: Kobold, Meepo, Old Dragon, shoggoth

Post completo: Dragão Vermelho

24 de Novembro de 2009 Post completo 9 Comentários
Por Fabiano Neme

red-dragon-attacksDizem os sábios que dragões vermelhos não têm uma ecologia, mas sim uma desolação, tamanha a destruição e tirania que esses vermes causam ao local em que habitam. Os poucos que sobreviveram a enfrentamentos com essas terríveis criaturas dizem que não há nada no mundo pior do que enfrentar um dragão vermelho fêmea pois, diferente de um dragão vermelho macho, não tendem a barganhar ou se render frente a um oponente superior: lutam até a morte com uma ferocidade que estremece a maior das montanhas.

Um dragão fêmea tem hábitos bastante diferentes dos de um macho. As fêmeas preferem entrar em combate diretamente, especialmente contra fêmeas de sua espécie. Elas são mais territorialistas que os machos e ainda mais intolerantes em relação a outras criaturas. Um dragão macho pode aceitar um suborno para deixar os invasores saírem vivos do seu covil. Uma fêmea também aceita o suborno, porém devora os invasores mesmo assim. Muitas vezes, após as crias deixarem o ninho, a dragão fêmea enlouquece e mata o parceiro, devorando-o, assim como devora quaisquer cria que retorne ao ninho.

Mas pensar que dragões vermelhos machos são fracos é um equívoco que ninguém sobreviveu para se arrepender. A ganância leva o macho a tomar qualquer empreitada, pois o acúmulo de riquezas é um símbolo de poder e de status entre outros dragões vermelhos. Essa obsessão levou muitos dragões vermelhos à ruína, pois ficam cegos frente à possibilidade de acumular mais riquezas. Os outros grandes amores de um dragão vermelho macho são, na ordem, comer e dormir.

Os dragões, especialmente os mais velhos, costumam dormir por longos períodos de tempo, podendo chegar a centenas de dias. Seu sono é profundo e seus sonhos levam suas mentes a vidas passadas, séculos antes de ter quebrado a casca do ovo no qual nasceu. Devido a esses sonhos, o dragão vermelho, quando acorda, se sente desorientado, sem saber ao certo onde – ou quando – está. A única coisa em sua cabeça, logo que acorda, é a fome, para o desespero de todos que moram nos arredores de seu covil.

Um dragão vermelho prefere um covil próximo de lugares quentes, como em uma caverna próxima de um vulcão. Dentre seus hábitos estão a crueldade com as criaturas que devora, o hábito de enterrar seus dejetos e o ódio pela água.

O principal ponto fraco de um dragão vermelho são os olhos, pois um dragão cego é um dragão que está à mercê de outras criaturas, e isso é um motivo de vergonha que todos evitam. Um acerto certeiro e profundo em um dos olhos faz com que o dragão recue. Entretanto, se o acerto não for certeiro ou profundo o suficiente, a ira da criatura será despertada e ele irá destruir tudo ao seu redor com sua baforada de fogo. Isso revela um traço dos dragões vermelhos: o medo da morte. Essencialmente, os dragões vermelhos, especialmente os machos, têm muito medo de morrer, fazendo com que recuem ou barganhem quando percebem que estão próximos da morte. Essa covardia é difícil de ser trazida à tona, pois, mesmo sendo um covarde, um dragão vermelho é um covarde muito poderoso.

Entretanto a possibilidade do dragão causar medo é muito maior que a possibilidade de um dragão sentir medo. A sensação de terror puro ronda o dragão vermelho e muitos dos que contemplam essa majestosa criatura em toda a sua glória terrível são aplacados pelo terror e fogem em pânico. A magia é inerente de muitos dragões, que aprendem a lançar feitiços arcanos tão poderosos quanto magos de considerável poder.

No entanto, não é nem o terror, nem a magia e nem a baforada a principal arma de um dragão vermelho, mas sim a sua astúcia, pura e simplesmente. O covil de um dragão é repleto de armadilhas e outros perigos que ameaçam a vida daqueles tolos o suficiente para tentar invadi-lo.

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