Entrevista: John Bobek -parte 1
Para entender o RPG, temos que entender um pouco sobre wargame, e como um apaixonado pela história do D&D, trago para vocês uma pequena entrevista com um grande nome: John Bobek.
Desde já agradeço ao John pela entrevista, e espero que aproveitem tanto quanto eu gostei de fazê-la.
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1- Por favor, conte-nos um pouco sobre você e sua história com wargames.
Sempre adorei soldados de brinquedo, navios e aviões, e filmes de guerra. Por volta de 1962, consegui um jogo da Milton Bradley [N.T: empresa de jogos que lançou dentre tantos outros, o Hero Quest. Hoje faz parte da Hasbro] sobre a Guerra Civil Americana, o Battle Cry. Eu adorei. Jogava muito com meu bom amigo Rick. Ele quase sempre pegava os “rebs” [N.T: os Confederados] e eu pegava a União. Tenho a lembrança de ter ganho mais do que perdido, mas eu não juraria sobre a Bíblia sobre isso.
Eu gostava tanto que comprei o próximo wargame da Milton Bradley, Broadside. Era um jogo naval focando a guerra de 1812 [N.T: conhecida também como "Guerra Anglo-Americana"]. Ambos os jogos usavam miniaturas como marcadores. Então, por volta de 1964, tive meu primeiro wargame “dedicado”, Tactis II da Avalon Hill [N.T: o primeiro "Tactics" é considerado o primeiro wargame comercial. A Avalon Hill pertence hoje a Hasbro]. Eu havia sido “fisgado”. Comprei outros jogos da Avalon Hill no passar de 10 anos. Eu até mesmo me assinei a “The General” da AH [N.T: revista da Avalon Hill que dava suporte aos seus jogos, com táticas, resenhas, etc].

Fui à faculdade no outono de 1967, e em uma de minhas aulas sentava perto de um cara que percebeu meus rascunhos durante as matérias. Elas geralmente eram cenas militares, navios, tanques,aviões, soldados. Ele me perguntou se eu estaria interessado em desenhar para uma revista de wargames, a “International Wargamer”. Eu disse “claro, por que não?”. Desde aquele convite, me tornei o ilustrador chefe da revista.
Era uma revista mensal de um grupo chamado “International Federation of Wargaming” (ele mesmo um grupo que havia evoluído de um anterior)[N.T: grupo fundado por Gary Gygax, Bill Speer, e Scott Duncan em 1966].
Após me juntar à IFW, começamos a fazer “noites de jogo” no campus. Foi ai que descobri os jogos de miniatura. Eu podia usar os tanques e soldados de brinquedo que eu tinha colecionado pré-ensino médio e usá-las em jogos com cenários dos meus velhos modelos de ferrovia. Nós não estávamos limitados por um tabuleiro mas poderíamos fazer qualquer tipo de “tabuleiro” que desejássemos e tão grande quanto o espaço disponível! Eu estava “fisgado”!
2- No seu livro “The Games of War”, você tem uma dedicatória legal à sua família. Parece que seu “sangue wargamer” veio deles. Está correto? Eles colecionavam, construíam ou jogamos jogos de estratégia?
Não era tanto que eles jogassem jogos de estratégia, mas eles compravam brinquedos que eu eventualmente usaria nos jogos. Meu tio Vic fazia toneladas de modelos plásticos e me dava. Comecei a colecionar os modelos por causa dele e eu amava como eles pareciam, a sensação deles em minhas mãos. Comecei a ler mais sobre os homens e equipamento. Minha mãe me apoiavam nisso assim como minha tia Florence, que fora morar conosco depois que meu pai faleceu (eu tinha 9 anos naquela época).
3- Ainda falando sobre wargames, você poderia nos falar um pouco sobre os seus favoritos? Você tem uma “época” favorita para jogar, como a 2ª Guerra Mundial, Império Romano, etc? Além disso, você tem um “estilo de jogo”, como “agressivo”, “defensivo”, “atrair o inimigo”, etc?
Hmmm, esta é difícil. Como você deve ter notado, meu livro trata de tudo, então tenho um interesse em jogos como um todo. Para jogos de tabuleiro, eu adorava o “Tactics” e o “Blitzkrieg” da Avalon Hill. Gostava do “Panzerblitz” deles quando comecei a jogar com miniaturas. Os jogos da Avalon Hill “Sink the Bismark”, “Jutland” e “Midway” eram meus jogos navais favoritos. Não devo deixar o xadrez de fora. Na verdade eu ensino um curso de verão para crianças sobre xadrez. Incluo nessa aula minha
variação do xadrez favorita, “Kriegspiel”. Este é um ótimo jogo!!! Sobre miniaturas, adoro o “American Civil War”, “7 Years War”, “Napoleonics” e “WWII land, air and sea”.
4- Devo dizer que adoro o módulo de RPG “Village of Hommlet”, de Gary Gygax. Alguns anos atrás você jogou uma partida de Chainmail [N.T: jogo precursor do Dungeons & Dragons] baseada no “cerco à casa-fosso” [N.T: um evento importante no módulo. Leia mais aqui ]. Poderia nos falar mais como foi esse jogo?
Paul Stormberg estava escrevendo um livro sobre a história do D&D/Gary Gygax e me “rastreou” como um dos antigos membros da IFW. Enquanto membro da IFW, me juntei à Castle and Crusade Society, idéia que nasceu de Gary Gygax. Paul teve uma idéia para reunir membros antigos dessa sociedade e jogar uma partida envolvendo o cerco à “Moathouse” [N.T: casa-fosso] como descrito no módulo de Gary. Paul tinha um modelo muito elaborado e preciso da Moathouse e arredores, e jogamos na “Lake Geneva Games Convention” em junho de 2006. Ele usou as regras originais do Chainmail e seus criadores, Jeff Perrin e Gary Gygax, junto com o filho de Gary, Ernie, eram as forças do bem. Alinhados contra eles estavam as forças do mal lideradas por Bill Hoyer, antigo presidente da IFW, Robert Kuntz e eu mesmo. Foi um jogo interessante com o sacrifício do anti-herói de Rob Kuntz e a surpresa de Gary ao despertar a ira de um “Ent” [N.T: criatura-árvore] por ter mandando uma unidade com machados para um conjunto de árvores. O bem triunfou mas foi uma vitória difícil.

(Da esquerda para a direita: Bill Hoyer, Rob Kuntz e John Bobek)
5- Você poderia nos contar sobre suas experiências no RPG? Alguma história que você queira dividir?
Para mim, qualquer momento que jogo com miniaturas, históricas ou não, estou participando de um roleplaying game! Minha primeira experiência com RPG foi no play test do D&D na casa de Gary na 330 Center St. em Lake Geneva, Winsconsin. Não tenho mais o tempo nem a razão, mas tenho a lembrança vívida de estar com Ernie Gygax [N.T: filho mais velho de Gary Gygax] e encarar uma sala. Devo entrar? Ernie concordou em entrar na sala comigo pois eu estava certo de que nada de errado aconteceria comigo se eu fosse com o jovem filho de Gary. Hah! Gary riu satisfeito e revelou que Ernie e eu fomos transportados para o centro da Terra, esmagados sem vida pelo peso de das pedras acima de nós!.
Gary conduzia sua dungeon em tempo real. Quanto mais você esperava para tomar uma decisão, maiores as chances de que algo desagradável aconteceria com você. Quando mestrei aventuras de RPG, mantive o mesmo caminho de Gary. O jogo fluía então mais como um filme do que como um jogo. Tentei manter isso nos jogos de miniatura que desenvolvi (e arbitrei [N.T: no caso, John refere-se ao fato de que muitos wargames necessitam de uma pessoa para ser o "DM" do jogo, no sentido de resolver qualquer impasse que ocorra no mesmo, e verificar a legalidade das ações dos jogadores])!
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Na continuação, John fala um pouco sobre Star Wars e as diferenças entre wargame e rpg. Fiquem ligados!


Sensacional, cara. Sensacional.
Uma coisa que me chamou a atenção: “Paul Stormberg estava escrevendo um livro sobre a história do D&D”
Quero ver esse livro!
pois é, ainda estou atras de informações!
Paul nao responde as MPs do DF…:P
O tio Tenser parece aqueles fazendeiros milionários. Só falta o chapéu e o cinturão de boxe rsrs.
Gostei bastante da entrevista, apesar de não curtir muito miniaturas. Abraços!
Essas entrevistas sempre são muito bacanas.
Lembro de ler lido aqui no VOrpal sobre uma mago que sobrevieu por um monte de levels da masmorra de greyhawh só com uma charm spell.
Seria muito legal se você conseguisse entrevistar alguém tivesse participado dessa seção.
fala max, blz?
é possivel q seja o Tenser, interpretado pelo Ernie Gygax. ele noa participa de foruns, infelizmente.
Poxa,q pena.Seria muito legal se ele prórpio contasse a história.
Mas,de qualquer forma,continue com as entrevistas,uma melhor q a outra!
Seria foda mesmo, se rolasse uma entrevista sobre esse lance do charm spell.
“Gary conduzia sua dungeon em tempo real. Quanto mais você esperava para tomar uma decisão, maiores as chances de que algo desagradável aconteceria com você. Quando mestrei aventuras de RPG, mantive o mesmo caminho de Gary. O jogo fluía então mais como um filme do que como um jogo.”
Gostei deste trecho. Meus jogadores que se cuidem!